O Itaú apresentou a ia.i, um assistente baseado em IA agêntica que promete substituir menus e botões por conversas capazes de executar ações financeiras. Mais do que uma inovação tecnológica, o projeto sinaliza uma mudança profunda na forma como empresas, clientes e serviços digitais irão se relacionar nos próximos anos
Durante décadas, a evolução da experiência digital foi medida pela qualidade das interfaces. Empresas investiram em aplicativos mais rápidos, telas mais intuitivas e jornadas cada vez mais simplificadas.
Mas o próximo salto pode ser justamente eliminar a necessidade de navegar por elas.
Foi essa a mensagem levada pelo Itaú ao Web Summit Rio 2026 ao apresentar a ia.i, um novo assistente baseado em inteligência artificial que transforma a conversa em principal interface de relacionamento com o cliente.
A proposta é simples para o usuário: em vez de procurar funções dentro do aplicativo, basta dizer o que deseja fazer.
Consultar saldo, realizar um Pix, buscar informações financeiras ou solicitar serviços passa a acontecer por meio de linguagem natural, como já ocorre com ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Alexa.
Segundo Ricardo Guerra, CIO do Itaú Unibanco, a interação seguirá uma lógica já familiar para os consumidores. “Vamos começar do mesmo jeito que vocês falam com a Alexa, Google, enfim, qualquer outro tipo de acionamento de motor conversacional. Estamos lançando o que chamamos de ia.i.”
A novidade foi apresentada durante o Web Summit Rio e já está sendo testada por um grupo restrito de clientes. Ainda não há previsão para disponibilização em toda a base do banco.
O que torna a ia.i diferente dos chatbots tradicionais
A principal inovação não está na conversa. Está na ação.
Enquanto os chatbots tradicionais foram criados para responder dúvidas, a ia.i nasce dentro do conceito de IA agêntica, uma das tendências mais discutidas atualmente no mercado de tecnologia.
Nesse modelo, a inteligência artificial não apenas entende o pedido do usuário. Ela executa tarefas.
Na prática, isso significa que o cliente poderá realizar operações financeiras por meio de uma conversa, sem precisar navegar por telas, localizar botões ou seguir fluxos pré-determinados.
Por trás da solução existe um ecossistema de modelos de linguagem coordenados por uma arquitetura capaz de interpretar intenções e direcionar ações específicas.
O objetivo é criar agentes especializados para diferentes necessidades do cliente.
Mais do que responder perguntas, eles passam a atuar como executores de tarefas.
Essa mudança representa uma transformação importante na forma como as empresas desenham suas jornadas digitais.
Até agora, os consumidores precisavam aprender como o sistema funcionava.
Com a IA agêntica, a lógica se inverte: o sistema aprende como o cliente se comunica.
O banco deixa de ser um lugar
Talvez a mensagem mais estratégica do projeto tenha sido resumida por Ricardo Guerra em uma frase.
“Vamos para onde o cliente está.”
O conceito ajuda a entender por que a iniciativa vai além de uma nova funcionalidade do aplicativo.
Historicamente, o consumidor precisava acessar ambientes específicos para realizar operações financeiras.
Primeiro foram as agências.
Depois os sites.
Em seguida os aplicativos.
Agora surge uma nova etapa.
O banco passa a acompanhar o cliente nos canais que ele já utiliza diariamente.
Entre os exemplos apresentados pelo Itaú estão consultas de saldo e transferências realizadas diretamente pelo WhatsApp, utilizando linguagem natural.
A mudança pode parecer simples.
Mas altera profundamente a lógica da experiência digital.
A partir desse modelo, o relacionamento deixa de depender de um ambiente proprietário e passa a acontecer nos espaços onde a conversa já acontece.
A inteligência artificial passa a conhecer o contexto do cliente
Outro diferencial importante da ia.i é a utilização do histórico e do contexto do usuário para personalizar as interações.
O assistente não foi concebido como uma inteligência artificial genérica.
Ele utilizará informações do relacionamento do cliente com o banco para oferecer respostas e recomendações mais adequadas ao seu perfil.
Esse é um movimento que vem ganhando força em diferentes setores.
A próxima geração da inteligência artificial não será definida apenas pela capacidade de conversar.
Será definida pela capacidade de compreender contexto.
Em vez de simplesmente responder comandos, sistemas inteligentes passam a interpretar hábitos, necessidades e preferências para entregar experiências mais relevantes.
Para empresas que investem em experiência do cliente, essa talvez seja uma das mudanças mais importantes dos próximos anos.
Transformação tecnológica
A apresentação da ia.i acontece em um momento em que o Itaú acelera sua estratégia de inteligência artificial.
Segundo o banco, o número de projetos envolvendo IA generativa cresceu 84% em 2025.
O lançamento, portanto, não surge como uma iniciativa isolada.
Ele é resultado de uma transformação tecnológica mais ampla, que envolve modernização da arquitetura digital, migração para nuvem e criação de novos modelos de relacionamento com clientes.
Para executivos de CX, atendimento, tecnologia e transformação digital, o principal aprendizado talvez seja que a próxima disputa não acontecerá na interface.
Durante muitos anos, empresas competiram para oferecer os melhores aplicativos.
Agora, a diferenciação tende a migrar para outro lugar.
A qualidade da compreensão.
Quem entender melhor o contexto do cliente, antecipar necessidades e executar tarefas com segurança terá vantagem competitiva.
O que os executivos podem aprender e aplicar
O que os executivos podem aprender e aplicar
O lançamento da ia.i sugere que a próxima fronteira da experiência do cliente não será o aplicativo mais bonito nem o menu mais intuitivo.
Será a capacidade de compreender intenções, interpretar contexto e agir em nome do cliente.
A conversa deixa de ser apenas um canal de atendimento para se tornar a própria interface do negócio.
Para líderes de CX, tecnologia e transformação digital, a pergunta já não é se a inteligência artificial fará parte da jornada do cliente.
A pergunta é quando ela passará a ser a jornada.



